Friday, May 09, 2008




Estamos em Obras, eu e o NADIR.
Pelo facto, as nossas desculpas.

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Saturday, May 03, 2008

À Mãe



No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.

E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves


de Os Amantes Sem Dinheiro

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Friday, May 02, 2008

La Ballade of Lady and Bird para um fim-de-semana...mais um...




Lady & Bird
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Exposição de Pintura "Oficio Diário"




Está patente ao público, desde 22 de Abril, a exposição de pintura “Oficio Diário” de Torquato da Luz .
Esta exposição pode ser vista na Junta de Freguesia de S. João de Brito, em Lisboa, na R. Conde Arnoso, nº 5, B. A. Esta exposição estará patente ao público até dia 12 de Maio.


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Ana Luísa Amaral



Exactamente como foi, o medo de me enganar
mais tarde na memória – é tudo o que me resta: estar
de noite às escuras a pensar em ti

E se me lembro mal, se troco as vezes, naquela
quinta-feira o dia do amor em vez de ser
na quarta, o erro surge-me gigante,
um peso carregado como Atlas

Por isso é que preciso de lembrar coisas
exactas, como aconteceu tudo; não só
transpor depois na ficção recolhida, sou eu
que te preciso e dos teus dias
que me foram meus

Lembrar-me exactamente como foi, o que usei
nesse dia e o que usei no outro, até que horas
tudo, se havia gente ou não
e em que dia. Porque as palavras depois se
reconstroem

O que se disse então torna-se fácil.
Assim dito parece coisa pouca,
lugar comum e
fácil, mas as noites são grandes

e lembrar-te
exactamente,
de uma forma correcta

é-me tão importante
dentro das noites a pensar em ti
sabendo: não te vejo nunca mais.


O exacto curso do rio de Imagias, Gótica 2002

Imagem: Erica Shires

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Exposição de Fotografia de Luís Tobias






No proximo dia 8 de Maio, no espaço de João Pedro Rodrigues, poder-se-á assistir à exposição de Fotografia de

Luís Tobias - "FEITO POR MEDIDA".

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Wednesday, April 30, 2008

Ana Rita Calmeiro (1977)


Luis Lobo Henriques


Vivo sobre um fio de aranha esticado entre dois mundos paralelos.
Sou esse fio nesse lar de mentira passo os dias entre o presente e o futuro condicional do verbo maior de todos
O verbo que a morte não conjuga.
Eu conjugo.
O verbo que me quer fazer um filho sem pecado, de todos os meus filhos o mais amado.
O filho sonho.
Vivo este fio mentira caverna sombra esta lama esta luta esta lâmina aos pulsos da coragem tatuada.
Tudo por um grito em que me evada sem a dor que me resta em cada cicatriz.

Levo a minha fauna para a terra dos sonhos. Onde não se coma poesia não posso ser feliz.


Vivo sobre um fio…,  de Luminária, Alma Azul, 2002
                                                   

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Jorge de Sousa Braga



Lírio roxo

Será este o lírio

que há

no delírio?








Magnólias

Esqueceram-se das folhas

tão grande era a pressa

de florirem






Nenúfares

Um nenúfar flutua

na mesma água que a lua



 


Mimosas

Todos os anos na mesma altura

a montanha veste o mesmo vestido amarelo

para ver se ainda lhe serve na cintura.



de O Poeta Nu, Fogo Sobre o Fogo - III -Assirio&Alvim 

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Tuesday, April 29, 2008

A ARTE da ILUSTRAÇÃO por Alice Geirinhas



borboletas
-ícones para o interior do livro de Sarah Adamopoulos, 'Viver Mata', Oficina do Livro, 2001





3 mães
-Publicada na revista 'Os Meus Livros'Maio 2001





Alice Geirinhas



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Luís Vaz de Camões

^
William Shih-Chieh Hung




[…]

Nesta frescura tal desembarcavam
Já das naus os segundos Argonautas,
Onde pela floresta se deixavam
Andar as belas Deusas, como incautas.
Alguas, doces cítaras tocavam;
Alguas, harpas e sonoras frautas;
Outras, cos arcos de ouro, se fingiam
Seguir os animais, que não seguiam.

Assi lho aconselhara a mestra experta:
Que andassem pelos campos espalhadas;
Que, vista dos barões a presa incerta,
Se fizessem primeiro desejadas.
Alguas, que na forma descoberta
Do belo corpo estavam confiadas,
Posta a artificiosa formosura,
Nuas lavar se deixam na água pura.

Mas os fortes mancebos, que na praia
Punham os pés, de terra cobiçosos
(Que não há nenhum deles que não saia),
De acharem caça agreste desejosos,
Não cuidam que, sem laço ou redes, caia
Caça naqueles montes deleitosos,
Tão suave, doméstica e benina,
Qual ferida lha tinha já Ericina.

Alguns, que em espingardas e nas bestas
Pera ferir os cervos, se fiavam,
Pelos sombrios matos e florestas
Determinadamente se lançavam;
Outros, nas sombras, que de as altas sestas
Defendem a verdura, passeavam
Ao longo da água, que, suave e queda,
Por alvas pedras corre à praia leda.

Começam de enxergar subitamente,
Por entre verdes ramos, várias cores,
Cores de quem a vista julga e sente
Que não eram das rosas ou das flores,
Mas da lã fina e seda diferente,
Que mais incita a força dos amores,
De que se vestem as humanas rosas,
Fazendo-se por arte mais fermosas.

Dá Veloso, espantado, um grande grito:
– «Senhores, caça estranha (disse) é esta!
Se inda dura o Gentio antigo rito,
A Deusas é sagrada esta floresta.
Mais descobrimos do que humano esprito
Desejou nunca, e bem se manifesta
Que são grandes as cousas e excelentes
Que o mundo encobre aos homens imprudentes.

«Sigamos estas Deusas e vejamos
Se fantásticas são, se verdadeiras.»
Isto dito, veloces mais que gamos,
Se lançam a correr pelas ribeiras.
Fugindo as Ninfas vão por entre os ramos,
Mas, mais industriosas que ligeiras,
Pouco e pouco, sorrindo e gritos dando,
Se deixam ir dos galgos alcançando.

De Ua os cabelos de ouro o vento leva,
Correndo, e da outra as fraldas delicadas;
Acende-se o desejo, que se ceva
Nas alves carnes, súbito mostradas.
Ua de indústria cai, e já releva,
Com mostras mais macias que indinadas,
Que sobre ela, empecendo, também caia
Quem a seguiu pela arenosa praia.

Outros, por outra parte, vão topar
Com as Deusas despidas, que se lavam;
Elas começam súbito a gritar,
Como que assalto tal não esperavam;
Uas, fingindo menos estimar
A vergonha que a força, se lançavam
Nuas por entre o mato, aos olhos dando
O que às mãos cobiçosas vão negando;

Outra, como acudindo mais depressa
À vergonha da Deusa caçadora,
Esconde o corpo n' água; outra se apressa
Por tomar os vestidos que tem fora.
Tal dos mancebos há que se arremessa,
Vestido assi e calçado (que, co a mora
De se despir, há medo que inda tarde)
A matar na água o fogo que nele arde.

[…]


Canto IX (excerto) «estrofes 64 a 73» -  Os Lusíadas

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